Um balanço de 2015

Desde o início de dezembro que venho tentando escrever este post e fazer um balanço do ano que acaba agora. Mas nunca foi tão difícil colocar algumas letras em um papel – e olha que, normalmente as palavras vão fluindo sem custo, de tanto que eu gosto de escrever. É que parece que, quando verbalizamos de forma escrita aquilo que sentimos, as coisas ganham mais peso, mais importância; elas se tornam mais reais a partir do momento em que saem da nossa cabeça e ganham nossos dedos.

2015 não foi um ano fácil.

O pior é que eu não tenho nenhuma tragédia ou algoz para culpar. O meu fracasso é total e completamente responsabilidade minha. Se ninguém próximo morreu, eu não me separei, não perdi o emprego, minha saúde esteve estável; como justicar um ano tão ruim? Afinal, eu consegui levar o ano aparentemente bem: paguei minhas contas, mantive os pés no chão, sorri, comemorei. Mas, dentro de mim, algo mudou. Hoje vejo que algo vem, aos poucos, renascendo – só que, para renascer, é preciso morrer.

Termino o ano com a sensação de que ele passou muito rápido e que eu não fiz nada do que planejei ou queria. Foram dias e dias brigando comigo mesma só para levantar e manter o básico – trabalho, higiene, relações pessoais. Eu não fiz contato comigo mesma e paguei o preço por isso. Eu não olhei para dentro de mim para saber o que minha alma precisava. Demorei a admitir que tinha um problema e que ele tinha um nome: depressão.

depressao

Constantemente eu parecia ter uma pedra sobre o peito; respirar era um esforço sobrehumano. Quando fui me dar conta, estava no fundo do poço. Na verdade, não posso culpar 2015. Esse processo começou em 2014, na verdade. Fui me deixando levar e, quando vi, já não era mais eu mesma. Na verdade, tive dificuldade até de me lembrar quem eu era.

Depressão, pra mim, é como deixar a alma morrer um pouco. É perder a sensibilidade sobre si. E, com a depressão, mais uma vez veio um outro vilão: a compulsão alimentar. Só a comida me entendia e me confortava. Só a comida me fazia acalmar. Fora dos surtos da compulsão, eu continuava a me alimentar bem; mas quando ela vinha, eu comia uma quantidade absurda de comida – 2 mil, 3 mil calorias em poucos minutos. O importante era tapar o buraco e calar minhas inquietações. O resultado eu vi na balança: 27kg em 18 meses. A essa altura, minha auto-estima estava destroçada e eu sentia que não poderia melhorar.

Eu só não sabia que sou mais forte do que pensava; eu não sabia que não sei desistir. Enquanto eu estiver viva, vou encontrar forças para tentar de novo, e de novo, e de novo. Sei que volta e meia vou escorregar. E daí?

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Dizem que só na dor há aprendizado. E, se isso é verdade, em 2015 eu aprendi muitas coisas sobre mim:

  • às vezes, você fará um grito desesperado de ajuda, só que do seu jeito. Algumas pessoas vão entender e te amparar; outras estão focadas em si e não serão capazes de olhar pra você. Isto não é certo nem errado, só são timings diferentes. Passei a não me importar com o que julgaram de mim e tento não julgá-los. Eles têm seus problemas e eu tenho os meus, pelos quais só eu sou responsável. Lamento se perdi companheiros nesse processo, mas não me culpo;
  • Falar e escrever ajuda. Mesmo que seja escrever pra si mesmo. Verbalizar os sentimentos ajuda a organizar a cabeça e o coração;
  • Exercício físico ajuda e muito. Ele desfaz o nó no meu peito e faz com que eu me sinta mais forte. Não posso nunca desistir de me exercitar. O ganho é inacreditável, um remédio sem contra-indicações.
  • Sim, eu sou forte. Eu tenho fraquezas, mas elas não definem quem eu sou.

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Hoje, eu continuo tentando cuidar de mim mesma. E, diante das coisas que aprendi, sei que é uma tarefa diária. Ainda preciso tomar algumas atitudes pra melhorar minha qualidade de vida. Focar no que realmente importa, este é meu plano.

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Desculpem o papo-cabeça num espaço que era pra ser leve e divertido. Quando o coração da gente não está pesado, o rumo precisa ser outro. Eu já me sinto mais leve.

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Pra quem tem interesse em entender melhor o assunto de uma forma lúdica, eu recomendo esse vídeo.

 


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2 comments on “Um balanço de 2015

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